Após uma decisão judicial que considerou a Meta um incômodo público por seu impacto sobre menores, um juiz do Novo México ordenou que a empresa pagasse US$ 567 milhões a um fundo de redução especializado. Esta penalidade, que segue uma multa anterior de US$ 375 milhões, exige novos protocolos de segurança rigorosos para usuários do Instagram e do Facebook menores de 18 anos.
A decisão legal e as penalidades financeiras
Um julgamento legal significativo foi proferido no Novo México, onde o juiz Bryan Biedscheid ordenou que Meta pagasse um adicional de US$ 567 milhões no litígio em andamento relacionado à segurança infantil. Isso segue uma multa inicial de US$ 375 milhões avaliada em março, depois que um júri determinou que a empresa violou as leis estaduais de proteção ao consumidor. A nova decisão decorre de uma fase de julgamento secundário, que avaliou se a presença da Meta constitui um “incómodo público” que impacta negativamente a saúde e a segurança públicas. A decisão do tribunal eleva a penalidade financeira total contra a Meta neste caso específico para US$ 942 milhões. Os recursos são destinados a um programa de redução destinado a abordar os danos psicológicos e os riscos à segurança identificados durante o processo. Embora a decisão represente um grande revés financeiro, os especialistas observam que tais números permanecem relativamente modestos quando comparados com o sucesso financeiro mais amplo da Meta, já que a empresa reportou receitas de 61 mil milhões de dólares no período entre Abril e Junho.
O 'incômodo público' e a analogia industrial
Na sua opinião formal, o juiz Biedscheid utilizou uma analogia distinta, comparando o ecossistema digital da Meta a uma instalação de produção. Caracterizou o conteúdo e a publicidade da empresa como os produtos primários da fábrica, ao mesmo tempo que identificou a exploração sexual e o sofrimento psicológico vivido pelos menores como a 'poluição' gerada por esse processo. Fazendo uma comparação com os riscos ambientais, o juiz argumentou que, tal como a poluição industrial pode degradar o direito do público ao ar puro, os efeitos negativos dos algoritmos do Meta migram do domínio digital para a vida física dos adolescentes. Este quadro jurídico de “incómodo público” permitiu ao tribunal ir além das reivindicações básicas de protecção do consumidor para abordar o fardo social mais amplo colocado sobre as escolas, os profissionais de saúde e as famílias. A decisão afirma que estes danos são sistémicos e estendem-se a toda a Internet, em vez de ficarem estritamente confinados aos limites das aplicações das redes sociais.
Segurança obrigatória e reformas operacionais
A ordem judicial exige que a Meta implemente um conjunto de mudanças operacionais no Instagram e no Facebook, embora o juiz tenha decidido que o WhatsApp não estaria sujeito a esses requisitos específicos. Para usuários menores de 18 anos, as contas agora devem ser privadas por padrão e seus perfis não poderão aparecer em resultados de pesquisa ou recomendações, a menos que sejam identificados por um nome de usuário direto. A Meta também está proibida de recomendar contas pertencentes a menores a qualquer usuário. Além disso, a decisão determina uma “política de 1 strike” relativamente a utilizadores adultos que se envolvam na exploração sexual de crianças e proíbe os adultos de enviarem mensagens a menores com os quais não tenham uma ligação existente. Para resolver as preocupações sobre o design viciante, o tribunal ordenou a remoção das contagens públicas de “curtidas” para usuários mais jovens e implementou um limite estrito de uso mensal de 90 horas, ou aproximadamente três horas por dia. Além disso, as plataformas devem pausar as notificações push durante a madrugada e nas sessões escolares para mitigar a pressão de permanecer constantemente conectadas.
Implicações da indústria e perspectivas futuras
A decisão do Novo México chega num momento de maior escrutínio para a Big Tech, com observadores como a ex-ministra da salvaguarda Jess Phillips sugerindo que ações agressivas dos tribunais dos EUA podem encorajar os reguladores internacionais a prosseguir políticas mais rigorosas sem temer pela estabilidade diplomática. O Reino Unido e a União Europeia estão actualmente a explorar vias legislativas semelhantes para proteger os menores, incluindo potenciais “toques de recolher” para a utilização das redes sociais por adolescentes. Embora a Meta tenha sinalizado a sua intenção de recorrer da decisão do Novo México, argumentando que continua empenhada em proteger os adolescentes e remover os maus actores, o caso é apenas uma parte de uma onda jurídica maior. Com milhares de ações judiciais semelhantes pendentes nos Estados Unidos – incluindo um caso histórico em Los Angeles relativo ao design de plataformas viciantes – a indústria das redes sociais enfrenta uma tendência crescente de pressão regulamentar e legal global. À medida que o panorama jurídico muda, as empresas vêem-se forçadas a defender as suas práticas algorítmicas contra alegações de que promovem ciclos de feedback prejudiciais.
⚖ The Balanced View
Supporting view
A Meta afirma que trabalha diligentemente para manter as suas plataformas seguras e tem sido transparente em relação às complexidades da remoção de atores e conteúdos nocivos das suas redes globais.
Concerns & criticism
O tribunal concluiu que os algoritmos de recomendação da Meta orientam ativamente os menores para conteúdos nocivos e que as suas plataformas criaram um incômodo público generalizado, resultando em danos tangíveis à saúde física e mental.
→What's next
A Meta confirmou que irá recorrer da decisão do tribunal, sustentando que continuará a defender o seu registo em relação à segurança dos adolescentes. Enquanto isso, o foco jurídico mudará para a Califórnia, onde quase três dúzias de procuradores-gerais estaduais estão programados para iniciar um grande julgamento separado na próxima semana sobre violações da privacidade infantil.